História
«Bem vindos à Casa do Monte. Propriedade da família De Mont, este lar de acolhimento modelo proporciona aos seus internos as melhores condições, o carinho e o apoio necessário para fazerem face à dura realidade da orfandade. Os seus proprietários, Pierre e Júlia De Mont orgulham-se de dedicar todo o seu tempo ao bem-estar dos órfãos e à gestão do Lar número um do país»
Pois, mas é tudo mentira… Há muito tempo que as coisas não correm bem na Casa do Monte. O lar alberga 12 crianças e deveria ser de facto um lar modelo, com condições excelentes, actividades de tempos livres, uma alimentação gourmet e várias infra-estruturas topo de gama. É para isso que recebe um enorme subsídio estatal. Mas, infelizmente, a má gestão dos seus donos e a sua excentricidade deixou o lar na penúria. Os De Mont vivem na ilusão que ainda são a família abastada com raízes na nobreza francesa, proprietária de terras e negócios lucrativos. Como não trabalham, o lar é o seu meio de subsistência. É por isso que permanentemente, desviam fundos do lar para a aquisição de outros «bens essenciais» – cabeleireiro, manicure, boutiques e spas.
Como se isso não bastasse, as crianças da Casa do Monte vivem aterrorizadas pela governanta, Adelaide Gomes, a Laidinha, que os trata como se fossem aves de capoeira e, por tudo e por nada, os ameaça com castigos tenebrosos. O único aliado dos meninos e meninos da Casa do Monte é o cozinheiro, Leonardo, que tenta contornar as regras espartanas que a família De Mont impõe para colocar um sorriso na cara das crianças. Mas as coisas vão mudar… Radicalmente!
Madalena Santana é uma empresária de sucesso. Dirige com mestria o Grupo de Santana, um conjunto de empresas ligadas à produção de produtos alimentares e venda a retalho, e é uma mulher de sucesso. Mas Madalena tem um segredo. Uma marca que não a deixa ser feliz.
Filha de Vítor Santana, um proprietário rural, tradicional e conservador, Madalena viveu uma adolescência despreocupada e até irresponsável. Há oito anos, engravidou e teve uma criança. Como era demasiado nova, deixou-se manipular pelo pai, que a obrigou a viver toda a gravidez numa herdade longe de tudo, acompanhada apenas por uma fiel empregada. Quando a criança nasceu, o pai disse a Madalena que o bebé não tinha sobrevivido ao parto e julgou assim ter resolvido um assunto incómodo.
Mas a empregada de Madalena, Rosália, sabia a verdade. E não descansou enquanto não contou tudo a Madalena. O bebé estava vivo e fora dado para adopção. Madalena recuperou do choque e desde então, ao mesmo tempo que toma as rédeas dos negócios da família, dedica todo o tempo livre a uma busca incessante em todos os orfanatos e lares de acolhimento do país, pelo filho perdido.
Finalmente as buscas parecem ter terminado. Graças à lealdade da sua assistente e amiga, Catarina Borges, Madalena conhece a Casa do Monte e os seus internos. Deixa-se conquistar de imediato por eles, especialmente pelos três meninos mais novos, todos com idade igual à do filho desaparecido. Decide descobrir se uma daquelas crianças poderá ser a sua e traça um plano ardiloso para se aproximar das crianças da Casa do Monte.
Nasce a personagem Lili, que mais não é que o alter-ego de Madalena. Atrás da sua influência e do seu dinheiro, a empresária convence os De Mont a receber no lar Lili, uma suposta prima com provas dadas no acompanhamento de crianças de todas as idades.
Logo à chegada, Lili mostra que veio para mudar as coisas. Acabaram-se os castigos, os gritos, o mau humor e a tristeza. Com Lili, o sol volta a entrar na Casa do Monte e a brilhar no sorriso de cada uma das crianças. Ela traz a música, os jogos, as partidas, a cor e a alegria que estavam alheadas do Lar. E traz também o desejo de defender sempre as crianças de todos os ataques que Laidinha ou os De Mont lhes lançam.
De imediato, alia-se a Leonardo e nasce uma amizade forte, que se transformará numa paixão ardente. Mas Lili não é Madalena, e a dupla identidade da protagonista vai causar-lhe dissabores e envolvê-la em mil e uma peripécias.
As crianças da Casa do Monte
Na Casa do Monte todos têm uma história para contar. Todos são órfãos, perderam os pais. Todos estão sozinhos no mundo. Mas todos são amigos. Bem… Mais ou menos…
Vanda destaca-se do grupo, pela negativa. Ela é a mais velha. Está a chegar aos dezasseis anos e sabe que só com muita sorte será adoptada. Por isso tem uma personalidade crítica e azeda e raras vezes sorri.
Kiki é o oposto. Para ela, a vida é uma festa. É a mais coquete de todas e também a mais sonhadora. Adora inventar histórias e contá-las aos mais pequeninos. O seu sorriso ilumina um dia de chuva. É muito apaixonada, o que às vezes lhe causa alguns dissabores.
A melhor amiga de Kiki é Guta, Augusta Pessanha. A história de Guta é a mais curiosa. Ela não é órfã. Os pais embarcaram para uma expedição na América do Sul e deram três hipóteses a Guta: ficar numa colónia de férias, ir para casa de pessoas de família no estrangeiro, ou viver com as crianças do lar… A última hipótese foi Guta que sugeriu. Sempre tivera curiosidade em saber como se vive num lar e os pais até conheciam a Casa do Monte, tendo contribuído com dinheiro para a sua manutenção. Guta chegou há pouco tempo e foi logo o centro das atenções, para todos, em especial para os rapazes.
Chico é o rapaz mais velho e o chefe do grupo. Não gosta muito de banhos, não percebe a sua utilidade, e é essencialmente um bonacheirão. Joca e Bocas são amigos inseparáveis. Joca quer ser jogador de futebol quando for grande. Bocas tem um jeito especial para exageros, o que lhe valeu a alcunha. Os amigos gostam muito das suas histórias. Bem… Nem todos… Daniel é particularmente sugestionável e assusta-se facilmente. Os outros chamam-lhe Susto e ele de facto, vive assustado com todo o que o rodeia, em especial com as brutalidades de Laidinha.
Por fim, os mais pequeninos, Lua, Anita e Minorca. Lua é uma rapariga bem disposta e sempre pronta para a brincadeira, que adora pregar partidas aos mais velhos. Anita é a sua melhor amiga e são inseparáveis. Anita foi deixada num convento e por isso é muito religiosa. Também entra nas brincadeiras mais audaciosas, mas depois pede sempre perdão ao menino Jesus. Minorca, como indica a alcunha, é o mais pequeno. É um génio. Quando abre a boca parece um adulto a falar. Farta-se de inventar engenhocas, nem sempre com a melhor das intenções. O seu alvo preferido é Laidinha.
Zeca e Paula são irmãos e foram resgatados da rua. Têm uma história de violência e sofrimento. O pai era alcoólico e eles fugiram de casa. Zeca cuidou da irmã durante alguns anos, até que a Segurança Social tomou conta deles. Ele é um verdadeiro príncipe, valente, corajoso, apaixonado. Ela é uma Maria rapaz, cheia de recursos e que nunca baixa os braços. A sua chegada vai mudar as coisas na Casa do Monte.

Do Melhor
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